Na resistência da existência

Esta obra constrói uma metáfora potente sobre o sertão e a condição humana. A mão monumental, em tons violáceos, emerge da paisagem árida e segura com firmeza o mandacaru, símbolo de resistência, sobrevivência e adaptação. O gesto, ao mesmo tempo protetor e doloroso, revela a força necessária para existir em territórios marcados pela escassez, onde cada espinho carrega memória, luta e permanência.
No topo do corpo-paisagem, uma pequena casa branca e a silhueta de uma motocicleta evocam o cotidiano sertanejo, a vida simples que resiste sobre o chão duro. O céu em cores quentes e vibrantes reforça a intensidade do clima e das emoções, enquanto a chama acesa na outra mão sugere esperança, fé e continuidade. Entre aspereza e cuidado, a obra afirma que o sertão não é apenas um lugar, mas um estado de espírito: um território moldado pela dor, pela coragem e pela capacidade infinita de resistir.