Amparo

Amparo é uma obra que fala sobre vínculo, cuidado e presença — dimensões do amor paterno que ultrapassam o plano físico e se manifestam também no campo sutil. Criada em aquarela, a imagem apresenta figuras humanas espelhadas, sugerindo a continuidade entre gerações e a transmissão silenciosa de afeto, proteção e consciência.

A composição trabalha a ideia de amparo como um gesto que não se impõe, mas sustenta. As formas se inclinam umas às outras em um movimento de acolhimento, onde o maior envolve o menor, simbolizando a função do pai como aquele que guarda, orienta e protege — seja na presença concreta, seja como força espiritual que permanece ao longo da vida.

As cores diluídas e orgânicas evocam o campo emocional e espiritual, reforçando a noção de que o cuidado não se dá apenas pelo toque, mas também pela escuta, pela intenção e pela energia que atravessa os laços familiares. O espelhamento da imagem sugere que esse amparo é também recíproco: ao cuidar, também somos transformados.

Inserida em minha pesquisa artística, que dialoga com espiritualidade, ancestralidade e presença, Amparo propõe um olhar sensível sobre o Dia dos Pais — não como uma data comemorativa isolada, mas como um reconhecimento do amor que sustenta, atravessa o tempo e continua a existir além das formas visíveis.

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