No Antropoceno

"No Antropoceno I" investiga a coexistência entre a rotina bucólica e a iminência da crise climática. Utilizando faixas cromáticas bem definidas e pinceladas dinâmicas, expressas numa tensão cromática, a obra retrata a fragilidade da vida cotidiana diante da transformação da biosfera. As figuras brancas destacam-se como espectros de uma humanidade que observa, entre o lazer e a incerteza, a alteração das cores e dos ciclos do mundo natural provocada por sua própria espécie.

“No Antropoceno 1” integra um díptico em que a segunda peça exibe a maior parte da tela tomada pela cor de terra, sugerindo o aumento do desmatamento. O conjunto contém uma proposta crítica ao descaso com questões ambientais que têm impactado a vida de todos os seres vivos, inclusive levando alguns à extinção. Nesta peça, tem-se uma cena de lazer familiar sob uma perspectiva de tensão ambiental. Figuras brancas e minimalistas — uma criança soltando pipa e um grupo em contemplação — ocupam um plano central dominado por redemoinhos de tons esmeralda e verde-escuro, numa tensão cromática que sugere uma atmosfera em turbulência. A composição é estruturada em faixas horizontais de cores terrosas e ocres, contrastando com o avanço de uma massa avermelhada no canto superior, que simboliza a pressão da ação humana sobre o ambiente bucólico. Através de pinceladas circulares e texturizadas, a tela materializa a transição da natureza no período do Antropoceno.

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