Desencaixes

Acrílica sobre tela, 60×40
“Desencaixes” utiliza a iconografia do quebra-cabeça como metáfora para a condição existencial. Através de uma grade cromática que sugere ordem e confinamento, as peças inclinam-se em tentativas de ajuste a espaços pré-determinados.

O título carrega a dualidade central da peça: o “desencaixe” como ato físico e como sentimento de não pertencer a sistemas estabelecidos. O prefixo “des-” age aqui como um manifesto de ruptura, negando a passividade do encaixe perfeito.

A narrativa culmina na subversão da última peça: um vermelho sólido que abandona a lógica do “vazio” e do quadrado. Ao posicionar-se fora da margem, ela deixa de ser uma ausência para se tornar uma presença afirmativa. “Desencaixes” celebra a coragem da dissonância e o momento em que a identidade assume sua própria forma, ainda que solitária.

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