Limiar

A obra apresenta uma libélula suspensa em um campo de instabilidade, onde forma e espaço parecem coexistir em tensão. Seu corpo, de aparência quase metálica e estruturada, contrasta com o ambiente fluido e indefinido que a envolve, sugerindo um estado entre o orgânico e o inerte, o sensível e o impessoal.
Nesse contexto, a figura não é apenas representada, mas situada em um ponto de transição — um limiar. Nem completamente inserida no espaço, nem dissociada dele, a libélula habita um intervalo onde matéria e atmosfera se atravessam. Sua delicadeza não anula a rigidez de sua estrutura, assim como sua aparente solidez não impede uma qualidade lírica e efêmera.
A obra propõe uma reflexão sobre estados intermediários de existência, onde identidade, forma e presença ainda não se estabilizam. O vazio ao redor não se configura como ausência, mas como um campo ativo, em constante movimento, que tensiona e redefine o corpo que nele se insere.