Dragão de Névoa

A pintura, realizada em acrílica e guache, constrói uma cena em que a técnica reforça o contraste entre forma e ambiente. O dragão, estruturado a partir do origami, é definido por planos rígidos e bem marcados em tons de azul, enquanto o fundo se desenvolve de maneira fluida, com pinceladas orgânicas que sugerem vegetação e paisagem natural. A sobreposição das duas linguagens cria profundidade e evidencia o diálogo entre controle e espontaneidade na composição.
A simbologia da obra se apoia na presença do dragão como entidade mítica associada à força, transformação e espiritualidade nas culturas asiáticas. Sua forma fragmentada e geométrica sugere um ser em processo, quase como se estivesse se materializando ou se dissolvendo na paisagem. Esse encontro entre o construído e o natural reforça a ideia de transição entre mundos, evocando uma atmosfera poética em que o visível e o imaginário se entrelaçam.